É claro que
este é um evento maravilhoso, sobre o qual urge
meditar profundamente...
O Sol realiza a cada ano uma viagem elíptica que
começa no dia 25 de dezembro, e então regressa ao
pólo sul, até a região da Antártida; exatamente por
isto vale a pena refletirmos em seu significado
profundo. Nesta época começa o frio aqui no norte,
devido exatamente ao fato de que o Sol vai se
afastando para as regiões austrais e, no dia 24 de
dezembro, terá atingido o ponto máximo de sua viagem
na direção sul. Se o Sol não avançasse rumo ao norte
do dia 25 de dezembro em diante, morreríamos de
frio. A Terra inteira se converteria em um bloco de
gelo e realmente pereceriam todas as criaturas, tudo
o que tem vida.
Assim, vale a pena refletir sobre o acontecimento do
Natal. O Cristo-Sol deve avançar para dar-nos vida,
e, no equinócio da Primavera, se crucifica na Terra;
então amadurecem a uva e o trigo.
É precisamente na Primavera que o Senhor deve passar
por sua vida, paixão e morte, para logo ressuscitar;
a Semana Santa é na Primavera no Hemisfério Norte.
O Sol físico nada mais é que um símbolo do Sol
Espiritual, do Cristo-Sol. Quando os antigos
adoravam o Sol, quando lhe rendiam culto, não se
referiam exatamente ao Sol físico; rendia-se culto
ao Sol Espiritual, ao Sol da Meia-Noite, ao
Cristo-Sol. Inquestionavelmente, é o Cristo-Sol quem
deve guiar-nos nos Mundos Superiores de Consciência
Cósmica. Todo místico que aprende a funcionar fora
do corpo físico à vontade é guiado pelo Sol da
Meia-Noite, pelo Cristo Cósmico.
É preciso aprender a conhecer os movimentos
simbólicos do Sol da Meia-Noite; é ele
quem guia o Iniciado, quem nos orienta, ele é
que nos indica o que devemos e não devemos fazer.
Estou falando no sentido esotérico mais profundo,
levando em conta que todo Iniciado sabe sair do
corpo físico à vontade, que isto de não saber sair à
vontade é próprio de principiantes, gente que ainda
está dando os primeiros passos nesses estudos. Se
alguém está na Senda, tem que saber guiar-se pelo
Sol da Meia-Noite, pelo Cristo-Sol, aprender a
reconhecer seus sinais, seus movimentos. Se o
vemos, por exemplo, desaparecer no ocaso, o que é
que isto nos indica ? Simplesmente que algo deve
morrer em nós. Se o vemos surgir do Oriente, o que é
que isto nos diz ? Que alguma coisa deve nascer em
nós.
Quando nos saímos bem nas provas esotéricas, ele
brilha em sua plenitude no horizonte. O Senhor nos
orienta nos Mundos Superiores, e temos que aprender
a reconhecer seus sinais.
Dupuis e muitos outros estudaram o maravilhoso
acontecimento do Natal; não há dúvida, e isto o
reconhece Dupuis, de que todas as religiões da
antiguidade celebraram o Natal.
Assim como o Sol físico avança para o norte para dar
vida a toda a criação, também o Sol da Meia-Noite, o
Sol do Espírito, o Cristo-Sol, nos dá vida se
aprendemos a cumprir com seus mandamentos. Nas
Sagradas Escrituras se fala, obviamente, do
acontecimento solar, e há que saber entender isto
nas entrelinhas. A cada ano se vive no
Macrocosmos todo o Drama Cósmico do Sol; cada
ano, repito. Leve-se em conta que o Cristo-Sol deve
crucificar-se cada ano no mundo, viver todo o drama
de sua vida, paixão e morte, para logo ressuscitar
em tudo o que é, foi e será, quer dizer, em toda a
criação. Assim, pois, é como todos nós recebemos a
vida do Cristo-Sol. Também é certo que cada ano o
Sol, ao afastar-se para a região Austral, nos deixa
tristes aqui no norte, pois vai dar vida a outras
partes. As noites longas de inverno são fortes. Na
época do Natal os dias são curtos e as noites
longas.
Vamos refletindo sobre tudo isto, e convém que
entendamos o que é o Drama Cósmico. É necessário
que também em nós nasça o Cristo-Sol, ele deve
nascer em nós. Nas Sagradas Escrituras se fala
claramente de Belém e de um estábulo onde ele nasce;
esse estábulo de Belém está dentro de cada um
aqui e agora; precisamente nesse estábulo
interior moram os animais do desejo, todos esses "eus
" passionais que carregamos em nossa psique, isto é
óbvio. "Belém" mesmo é um nome esotérico; nos tempos
em que o grande Kabir veio ao mundo, a aldeia de
Belém não existia, de modo que isto é inteiramente
simbólico. Bel é uma raiz caldéia que significa
Torre do Fogo, de modo que, propriamente dito,
Belém é Torre do Fogo. Quem poderia ignorar
que Bel é um termo caldeu que corresponde
precisamente à Torre de Bel, à Torre do Fogo ?
Assim, o termo Belém é totalmente simbólico.
Quando o Iniciado trabalha com o Fogo Sagrado,
quando elimina completamente de sua natureza
íntima os agregados psíquicos, quando de verdade
está realizando a Grande Obra, indubitavelmente há
de passar pela Iniciação Venusta; a
descida do Cristo ao coração do homem é um
acontecimento cósmico e humano de grande
transcendência; tal evento corresponde na
verdade à Iniciação Venusta. Infelizmente, não se
compreendeu realmente o que é o Cristo; muitos
supõem que o Cristo foi exclusivamente Jesus de
Nazaré, e estão equivocados. Jesus de Nazaré,
como homem - ou, melhor dizendo, Jeshuá ben Pandirá
- recebeu, como homem, a Iniciação Venusta,
encarnou o Cristo, mas não é o único a ter
recebido tal Iniciação. Hermes Trimegisto,
o três vezes grande Deus Íbis de Thot, também
O encarnou. João Batista, a quem muitos
consideravam como o Christus, o Ungido,
inquestionavelmente recebeu a Iniciação Venusta,
encarnou-O. Os Gnósticos Batistas asseguravam na
Terra Santa que o verdadeiro Messias era João, e que
Jesus era somente um Iniciado que havia querido
seguir a João. Havia naquela época disputas entre
Batistas, Gnósticos, Essênios e outros.
Devemos entender o Cristo tal qual é, não como uma
pessoa, como um indivíduo. O Cristo está mais além
da Personalidade, do Eu e da Individualidade.
Cristo em esoterismo autêntico é o Logos, o Logos
Solar representado pelo Sol. Agora
compreenderemos porque os Incas adoravam o Sol, os
Nahuas lhe rendiam culto, os Maias, os Egípcios,
etc. Não se trata da adoração a um sol físico, mas
ao que se oculta atrás deste símbolo físico;
obviamente, adorava-se o Logos Solar, o Segundo
Logos. Este Logos Solar é unidade múltipla perfeita.
A variedade é unidade. No mundo do Cristo Cósmico a
individualidade separada não existe; no Senhor somos
todos um...
Me vem à memória certa experiência, digamos,
esotérica, realizada há muitos anos. Então,
submergido em profunda meditação, obtive certamente
o Samadhi, o estado de Mantéia, o Êxtase, como é
chamado no esoterismo ocidental. Naquela ocasião eu
desejava saber algo sobre o batismo de Jesus, o
Cristo, pois bem sabemos que João o batizou. Foi
profundo o estado de abstração, obtive o perfeito
Dharana, ou seja, concentração, o Dhyana, ou
meditação, e por fim consegui o Samadhi; me
atreveria a dizer que foi um Maha-Samadhi, porque
abandonei perfeitamente os corpos Físico, Astral,
Mental, Causal, Búdico e até o Átmico. Consegui,
pois, reabsorver minha consciência de forma íntegra
no Logos. Assim, nesse estado logoico, como um
Dragão de Sabedoria, fiz a correspondente
investigação. De imediato me vi na Terra Santa,
dentro de um templo; mas, coisa extraordinária, vi a
mim mesmo convertido em João Batista, com uma
vestimenta sagrada; vi quando traziam a Jesus com
sua veste branca, sua túnica branca.
Dirigindo-me a Ele, disse: "Jesus, despe tua túnica,
tua vestimenta, pois vou batizar-te". Depois retirei
de um recipiente um pouco de azeite de oliva,
conduzi-O ao interior do Santuário, ungi-O com o
óleo, despejei água sobre Ele e recitei os mantrams
e ritos. Depois, o Mestre se sentou em sua cadeira à
parte; eu guardei tudo novamente, pus os objetos em
seus lugares e dei por terminada a cerimônia. Mas
vi-me transformado em João!
É claro que, uma vez passado o Êxtase, o Samadhi,
pensei: "Mas como é possível que eu seja João
Batista? Nem remotamente, eu não sou João Batista!
Fiquei bastante perplexo e pensei: "Vou fazer agora
outra concentração, mas agora não vou me concentrar
em João, vou concentrar-me em Jesus de Nazaré".
Então escolhi como motivo da concentração o Grande
Mestre Jesus. O trabalho foi longo e árduo, a
concentração foi se fazendo cada vez mais profunda;
logo passei do Dharana - concentração, ao Dhyana -
meditação, e deste ao Sammadhi, ou Êxtase. Fiz um
esforço supremo que me permitiu despir-me dos corpos
Físico, Astral, Mental, Causal, Búdico e Átmico até
introverter minha consciência, absorvendo-a no mundo
do Logos Solar, e, em tal estado, querendo saber
sobre o Cristo Jesus, me vi a mim mesmo convertido
em Cristo Jesus, fazendo milagres e maravilhas na
Terra Santa, curando os enfermos, dando vista aos
cegos, etc., e, por último, me vi vestido com as
vestes sagradas chegando ante João naquele Templo.
Então João se dirigiu a mim e disse: "Jesus, retira
tua vestimenta, pois vou batizar-te". Trocaram-se os
papéis, já não me vi transformado em João mas em
Jesus, e recebi o batismo de João.
Passado o Samadhi, regressando ao corpo físico, vim
a constatar perfeitamente, com toda a clareza, que
no mundo do Cristo Cósmico somos todos um. Se eu
tivesse querido meditar em qualquer um de vocês, lá
no mundo do Logos, me teria visto transformado em um
de vocês, vivendo sua vida, já que lá não há
individualidade, não há personalidade nem Eu; ali
somos todos o Cristo, ali somos todos João, ali
todos somos o Buda, ali somos todos um; no mundo do
Logos não existe a individualidade separada.
O Logos é Unidade Múltipla Perfeita, é uma
energia que se move e palpita em todo o criado, que
subjaz em todo átomo, em todo elétron, em todo
próton, e se expressa vivamente através de qualquer
homem que esteja devidamente preparado.
Bem, este esclarecimento teve como objetivo explicar
melhor o acontecimento de Belém. Quando um homem
está devidamente preparado, passa pela Iniciação
Venusta - mas, esclareço, deve estar devidamente
preparado - e na Iniciação Venusta consegue a
encarnação do Cristo Cósmico em si mesmo, dentro de
sua própria natureza.
Inutilmente teria Jesus nascido em Belém se não
nascesse em nosso coração também.Inutilmente
teria morrido e ressuscitado na Terra Santa, se não
morre e ressuscita em nós também. Esta é a
natureza do "Salvator Salvandus". O Cristo Íntimo
deve salvar-nos, mas salvar-nos desde dentro, a
todos nós. Aqueles que aguardam a vinda de Jesus de
Nazaré para um futuro remoto estão equivocados; o
Cristo deve vir agora desde dentro, a segunda vinda
do Senhor é desde dentro, desde o próprio fundo da
Consciência.
Por isto está escrito o que Ele disse: "Se ouvires
alguém dizendo na praça pública que é Cristo, não o
creiais, e se disserem "Ele está ali no Templo
predicando", não o creiais". É que o Senhor não virá
desta vez de fora mas de dentro, virá desde o
próprio fundo de nosso coração, se nós nos
prepararmos. Paulo nos esclarece dizendo: "De sua
virtude tomamos todos, graça por graça". Então, está
documentado; se estudarmos cuidadosamente Paulo de
Tarso, veremos que raramente alude ao Cristo
histórico; cada vez que Paulo de Tarso fala sobre
Jesus Cristo, refere-se ao Jesus Cristo Interior, ao
Jesus Cristo Íntimo que deve surgir do fundo de
nosso Espírito, de nossa Alma. Enquanto um homem não
O tenha encarnado, não se pode dizer que possua a
Vida Eterna, só Ele pode tirar nossa Alma do Hades,
só Ele pode verdadeiramente dar-nos vida, e em
abundância. Assim, pois, devemos ser menos
dogmáticos e aprender a pensar no Cristo Íntimo,
isto seria grandioso...
Todo o simbolismo relacionado com o nascimento de
Jesus é alquímico e cabalístico. Diz-se que três
Reis Magos vieram adorá-lo, guiados por uma estrela;
este trecho não pode ser compreendido, falando
francamente, se não se for versado em alquimia,
porque é alquímico. Que são essa estrela e esses
Reis Magos? E eu vos digo que essa estrela não é
outra coisa que o Selo de Salomão, a estrela de seis
pontas, símbolo do Logos Solar. O triângulo superior
representa obviamente o Enxofre, ou seja, o Fogo. E
o inferior, o que representa em Alquimia? O
Mercúrio, a Água; mas a que tipo de água se referem
os Alquimistas? Dizem eles: "A Água Que Não Molha as
Mãos, o Úmido Radical Metálico", em outras palavras,
o Exiohehari.
Ele nasce no estábulo de nosso próprio corpo
dentro do qual temos todos os animais do desejo,
das paixões inferiores. Ele tem que crescer,
desenvolver-se ascendendo pelos diversos graus
até converter-se num Homem entre os homens, tomar a
seu cargo todos os nossos processos mentais,
volitivos, sexuais, emocionais, etc., passar por um
homem comum. Mesmo sendo o Cristo um Ser tão
perfeito, um Homem que não peca, ainda assim deve
viver como um pecador entre pecadores, um
desconhecido entre outros desconhecidos; esta é a
crua realidade dos fatos.
Mas (o Cristo) vai crescendo, vai-se desenvolvendo à
medida que elimina em si mesmo os elementos
indesejáveis que levamos dentro. É tal sua
integração conosco que lança toda a responsabilidade
sobre seus ombros. Converteu-se num pecador como
nós, não sendo Ele um pecador - sentindo em carne e
osso as tentações, vivendo como um homem qualquer.
E assim, pouco a pouco, à medida que vai eliminando
os elementos indesejáveis de nossa Psique, não como
algo alheio ou estranho mas como algo próprio Dele,
vai se desenvolvendo no interior de nós mesmos; isto
precisamente é o maravilhoso. Se não fosse assim,
seria impossível realizar a Grande Obra. É Ele quem
tem de eliminar todo esse Mercúrio Seco, todo esse
Enxofre venenoso, para que os Corpos Existenciais
Superiores do Ser possam converter-se em veículos de
Ouro Puro, Ouro da melhor qualidade.
Os Três Reis Magos que vieram adorar o Menino
representam as cores da Grande Obra.
A primeira cor é o Negro, quando estamos
aperfeiçoando o corpo. Isto, repito, simboliza o
Corvo Negro da Morte, é a Obra de Saturno
simbolizada pelo Rei Mago de cor negra; então
passamos por uma morte, a morte de nossos
desejos, paixões, etc., no Mundo Astral.
A seguir vem a pomba Branca, isto é, o
momento em que já desintegramos todos os Eus do
Mundo Astral; adquirimos então o direito de usar
a túnica de linho branco, a túnica do Phtah egípcio,
a túnica de Ísis; evidentemente esta cor é
simbolizada pela Pomba Branca; este é ainda o
segundo dos Reis, o Rei Branco.
Já bastante avançado no aperfeiçoamento do Corpo
Astral, apareceria a cor Amarela, ou
seja, conquistaria o direito à túnica Amarela; então
aparece a Águia Amarela, o que nos recorda o
terceiro dos Reis Magos, que é da raça amarela.
Finalmente, a coroação da Obra é a Púrpura.
Quando um corpo, seja o Astral, o Mental ou o
Causal, já se tornou de Ouro Puro, recebe a púrpura
dos Reis, porque triunfou. Assim, como podem
ver, os Três Reis Magos não são três indivíduos,
como muitos acreditam, mas símbolos das cores
fundamentais da Grande Obra, e o próprio Jesus
Cristo vive dentro. Jesus em hebraico é Jeshuá;
Jeshuá significa Salvador, e, como Salvador,
nosso Jeshuá particular tem de nascer neste estábulo
que temos dentro de nós para realizar a Grande Obra;
Ele é o Magnésio Interior do Laboratório Alquimista.
O grande Mestre deve surgir no fundo de nossa
Alma, de nosso Espírito.
O mais duro para o Cristo Íntimo, após seu
nascimento no coração do Homem, é precisamente o
Drama Cósmico, sua Via-Crucis. No Evangelho as
multidões aparecem pedindo a crucificação do Senhor;
essas não são multidões de ontem, de um passado
remoto, como se supõe, de algo que ocorreu há 1975
(ano em que este texto foi escrito) anos. Não,
senhores, essas multidões estão dentro de nós
mesmos, são nossos famosos "Eus"; dentro de cada
pessoa moram milhares de pessoas, o "Eu do ódio", o
"Eu tenho ciúmes", o "Eu sinto inveja", o "Eu da
cobiça", ou seja, todos os nossos defeitos, e cada
defeito é um "Eu" diferente. É claro que essas
multidões que trazemos dentro de nós, que são nossos
famosos "Eus", são os que gritam: "Crucifiquem-nO,
crucifiquem-nO!".
Quanto aos Três Traidores, já sabemos que no
Evangelho Crístico são Judas, Pilatos e Caifás. Quem
é Judas? O Demônio do Desejo. Quem é
Pilatos? O Demônio da Mente. Quem é
Caifás? O Demônio da Má Vontade.
Mas é preciso esclarecer isto, para que se possa
compreendê-lo melhor. Judas, o Demônio do
Desejo, troca o Cristo Íntimo por trinta moedas de
prata : 30 (3 - 0), 3, esta é a alusão
cabalística, ou seja, troca-O pelas coisas
materiais, pelo dinheiro, pela bebida, pelo luxo,
pelos prazeres animais, etc.
Quanto a Pilatos, é o Demônio da Mente; este
sempre "lava as mãos", nunca tem culpa, para tudo
encontra uma evasiva ou justificativa, jamais se
sente responsável.
Realmente, estamos sempre justificando todos os defeitos
psicológicos que temos em nosso interior, jamais nos
julgamos culpáveis.
Muita gente me diz: "Acredito ser uma boa pessoa; eu
não mato, não roubo, sou caridoso, não sou
invejoso", ou seja, são todos cheios de virtude,
perfeitos, segundo eles próprios; "ignoto", é o que
tenho a dizer ante tanta perfeição.
Assim, olhando as coisas como são, em seu cru
realismo, esse Pilatos sempre lava as mãos, nunca se
considera culpado.
Quanto a Caifás, francamente o considero o
mais perverso de todos. Pensem no que representa
Caifás: muitas vezes o Cristo Íntimo nomeia um
Sacerdote, um Mestre ou Iniciado para que guie suas
ovelhas e as apascente, lhe entrega a autoridade e o
põe à frente de uma congregação, e o tal Sacerdote,
Mestre, Iniciado, etc., em vez de guiar seu povo
sabiamente, vende os Sacramentos, prostitui o Altar,
fornica com as devotas, etc. - ou seja, trai o
Cristo Interno, isto é o que faz Caifás.
É doloroso isto? É claro, é horrível, é uma
traição do tipo mais sujo que há, e não há dúvida de
que muitas religiões se prostituíram e muitos
sacerdotes traíram o Cristo Íntimo; não me
refiro a nenhuma seita em particular, mas a todas as
religiões do mundo. É possível que haja grupos
esotéricos dirigidos por verdadeiros Iniciados, e
que estes, muitas vezes traidores, tenham traído o
Cristo Íntimo.
Tudo isto é doloroso, infinitamente doloroso. Caifás
é o que há de mais sujo. Estes três traidores
levam o Cristo Íntimo ao suplício.
Pensem por um instante no Cristo Íntimo no mais
profundo de cada um de vocês, senhor de todos os
processos mentais e emocionais, lutando por
salvá-los, sofrendo terrivelmente; os próprios Eus
de vocês protestando contra Ele, blasfemando,
pondo-Lhe a coroa de espinhos, açoitando-O. Bem,
esta é a crua realidade dos fatos, este é o Drama
Cósmico vivido interiormente.
Finalmente, este Cristo Íntimo subiria ao Calvário,
isto é óbvio, e baixa ao sepulcro, com sua morte
mata a morte, isto é a última coisa que faz.
Posteriormente ressuscita no Iniciado e o Iniciado
ressuscita n'Ele.
Então a Grande Obra está realizada, "consummatum
est". Assim têm surgido através dos séculos
Mestres Ressurrectos; lembremos um Hermes
Trimegisto, um Moria, grande Mestre da Força do
Tibet, lembremos o Conde Cagliostro, que ainda vive,
e Saint-Germain, que em 1939 visitou outra vez a
Europa. Este Saint-Germain trabalhou ativamente nos
séculos 17, 18 e 19 e, entretanto, continua a
existir fisicamente, é um Mestre Ressurrecto.
Por que são Mestres Ressurrectos? Porque, graças ao
Cristo Íntimo, obtiveram a Ressurreição. Sem o
Cristo Íntimo, a Ressurreição não seria possível.
Aqueles que supõem que pelo simples fato de morrer
fisicamente alguém já tem direito à Ressurreição dos
Mortos são realmente dignos de compaixão; falando
outra vez em estilo socrático, não apenas ignoram
mas, o que é ainda pior, ignoram que ignoram.
A Ressurreição é algo pelo qual se tem de
trabalhar, e trabalhar aqui e agora, e é preciso
ressuscitar em carne e osso (e ao vivo). A
Imortalidade deve-se conseguí-la agora mesmo,
pessoalmente; assim se deve considerar todo o
Mistério Crístico.
Todo o Drama Cósmico é em si mesmo
extraordinário, maravilhoso, e se inicia realmente
com o Natal do Coração.
O que vem a seguir relacionado com o Drama, a fuga
para o Egito, quando Herodes manda matar todos os
meninos e Ele tem de fugir, tudo é simbólico,
totalmente simbólico.
Dizem (num Evangelho Apócrifo) que Jesus, José e
Maria tiveram de fugir para o Egito, tendo
permanecido vários dias vivendo sob uma figueira, e
que desta figueira saiu um manancial de água
puríssima - é preciso saber compreender isto : esta
figueira representa sempre o sexo; dizem ainda
que se alimentavam do fruto desta figueira, os
frutos da Árvore da Ciência do Bem e do Mal.
A água que corria puríssima, que saía desta
figueira, é nada menos que o Mercúrio da Filosofia
Secreta.
Quanto à decapitação dos inocentes, muito se tem
escrito sobre isso. Nicolas Flamel deixou gravadas
nas portas do cemitério de Paris cenas retratando a
degola dos inocentes. Por que essa cruel degola dos
inocentes? Não obstante, isto é também muito
alquímico, todo Iniciado tem de passar pela
decapitação.
Mas o que é que o Cristo Íntimo tem de decapitar
em nós? Simplesmente deve degolar o Ego,
o Eu, o Si Mesmo, e o sangue que emana da
decapitação é o Fogo, é o Fogo Sagrado pelo
qual o Iniciado tem de purificar-se, limpar-se,
branquear-se; tudo isso é profundamente esotérico,
nada pode ser tomado "ao pé da letra".
A seguir vêm os feitos milagrosos do grande Mestre.
Caminhava sobre as águas, [como] sobre as
Águas da Vida tem de caminhar o Cristo Íntimo. Abrir
a visão dos que não vêem, predicando a palavra para
que vejam a luz; abrir os ouvidos dos que não querem
ouvir, para que escutem a palavra.
Quando o Senhor já cresceu no Iniciado, tem de tomar
a palavra e explicar a outros o que é o caminho,
limpar os leprosos; não há ninguém que não esteja
leproso,essa lepra é o Eu pluralizado,
essa é a epidemia que todos levam dentro de si, a
lepra da qual devemos ser limpos.
Os que estão paralíticos não caminham ainda pela
Senda da Auto-Realização, o Filho do Homem deve
curar os paralíticos para que andem rumo à montanha
do Ser.
Há que compreender tudo isto de forma mais íntima,
mais profunda; isto não corresponde a um passado
remoto, é para ser vivido dentro de nós mesmos
aqui e agora.
Se começamos a amadurecer um pouquinho, saberemos
apreciar melhor a mensagem que o Grande Kabir Jesus
trouxe à Terra.
Em todo caso, precisamos passar por Três
Purificações, à base de ferro e fogo - este é o
significado dos Três Cravos da Cruz. E a palavra
INRI diz muito. Já sabemos que INRI
esotericamente é o Fogo; necessitamos passar
pelas Três Purificações à base de ferro e fogo
antes de conseguir a Ressurreição, do contrário
seria impossível lográ-la.
Aquele que ressuscita se transforma radicalmente, se
converte num Deus-Homem, é um Hierofante da estatura
de um Hermes, um Quetzalcoatl ou um Buda.
Mas é necessário fazer a Grande Obra.
Realmente, não se poderia entender os quatro
Evangelhos se não se estudasse Alquimia e Cabala,
porque [os Evangelhos] são alquimistas e
cabalistas, isto é óbvio.
Os judeus tinham três livros sagrados. O primeiro é
o corpo da doutrina, a Bíblia. O segundo é a alma da
doutrina, o Talmud, no qual está a alma nacional
judaica. E o terceiro é o espírito da doutrina, o
Zohar, onde está toda a Cabala dos rabinos.
A Bíblia, o corpo da doutrina, está escrita sob
chave. Se queremos estudar a Bíblia "compaginando
versículos", procedemos de forma ignorante, empírica
e absurda.
Prova disto é que todas as seitas mortas que, até a
época atual, se nutriram da Bíblia interpretada de
forma empírica, não puderam entrar em acordo. Se
existem milhares de seitas baseadas na Bíblia, quer
dizer que nenhuma delas a compreendeu.
As chaves para a interpretação estão no Zohar,
escrito por Simeon Ben Iochai, o grande rabino
iluminado. Aí encontramos as chaves para interpretar
a Bíblia. Então, é necessário "abrir" o Zohar.
Se queremos saber algo sobre o Cristo, sobre o
Filho do Homem, devemos estudar a Árvore da Vida...
V.M. Samael Aun Weor
Veja também o vídeo com
uma Mensagem para o Natal: