Pergunta: Fala-se muito da disciplina esotérica.
Deve cada estudante forjar sua disciplina, ou existe
alguém que no-la pode dar?
Resposta V.M.: Olhem, pode haver regulamentos
disciplinatórios para começar. Porém, a pessoa, o
discípulo responsável traça sua própria disciplina.
Cada vez mais se vai disciplinando. Não tem que
esperar que outro o discipline. O verdadeiro
gnóstico deve traçar sua própria disciplina, cada
vez muito mais estrita.
Pergunta: O senhor, Mestre, forjou-se uma disciplina
rigorosa?
Resposta V.M.: A mim, não me tiveram que pôr uma
disciplina. Eu vou cada vez pondo minha disciplina,
porque tenho que responder à humanidade e ante os
superiores. Por exemplo, imaginem os senhores, vou
contar-lhes algo que me aconteceu certa época.
Resulta que uma noite estava eu em meu trabalho
(perto de trabalhar com certa consciência),
esqueci-me de perguntar algo ao V.M. Samael. Ele se
encontrava, nesses momentos, na Igreja Gnóstica (nos
mundos internos). Estava eu a par de tudo isto.
Porém, como se tratava de algo que para mim tinha
importância, porque estava relacionado com o
trabalho que estava realizando, arranquei-me até lá,
o mais rápido, para perguntar ao Mestre samael o que
tinha que perguntar e esperava voltar ao meu
trabalho (como lá não existe tempo nem a distância).
Nessa noite o V.M. Samael estava dando um
ensinamento a uma pessoa que eu não conhecia.
Cheguei então como se chega em apuros, anelando
obter resposta rápida. Mestre... etc, etc...
Disse-lhe o que tinha que lhe perguntar e não me
respondeu sim ou não. Disse-me: “Ajoelha-te três
horas aí!” Isso foi o que me respondeu: “Ajoelha-te
três horas aí!” E ele seguiu dando o ensinamento à
outra pessoa que estava aí. Até as costas ele me
voltou! E eu, em pleno salão da Igreja Gnóstica,
ajoelhado. A mim me ardia a cara de vergonha.
Entravam mestres, entravam meus condiscípulos e me
olhavam, e pensando eu no meu trabalho que me estava
atrasando.
Bem, após as três horas já aquela pessoa havia ido
e o V.M. Samael se encontrava pelo interior da
Igreja, e após as três horas precisas, saiu e me
disse: “Levanta_te! E isto é para que outro dia tu
não te creias mais que os demais! Tu não és mais que
esta pessoa que estava recebendo ensinamento meu. Tu
és pior que esta pessoa. Além do mais, tu és um
imprudente! Mal educado!”
Aí lhes estou dando um ensinamento a todos vocês,
para que veja que a disciplina nós temos que no-la
pôr. Um ato de má educação lá não no-lo deixam
passar. Está conversando outra pessoa, temos que
escutar calado. Um ato de má educação é uma bomba
atômica contra nós. Estou falando da parte
esotérica. Assim que, pois, três horas me
ajoelharam. E eu não me esqueço jamais disso!
Jamais! Havia orgulho em mim. Cria-me superior,
porque estava trabalhando, como a outra pessoa não o
estava fazendo, por isso me cria superior e disse:
Não, o Mestre me atende e deixa a outra pessoa aí;
ele me dá a resposta que necessito e regresso para
trabalhar... Porém, não foi assim. Estive, por este
fato, ajoelhado três horas.
Conto-lhes isto a vocês para que tirem sua conclusão
da conduta disciplinadora que se deve conhecer. Vêm
o delicado que é isto?
Texto extraído do livro: Orientando o discípulo -
V.M. Rabolú
(para dar baixa no livro
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